Blog de DHJUPIC


“Ouvir tanto o grito da terra como o grito dos pobres.” (LS,49)

A Conferência da Família Franciscana do Brasil realizou em agosto de 2017 o Capítulo da Esteiras, com a participação de mais de 1.200 franciscanos e franciscanas de todo o Brasil. À luz do chamado a Misericórdia, assumimos compromissos concretos: “a realidade ecológica e socioambiental (...) nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio”. Nos comprometemos a atuar em consonância com os movimentos sociais em defesa dos direitos e da democracia no Brasil. “Elege(mos) dentre os diversos apelos, um compromisso particular com a Irmã Água. Deste modo nos empenharemos em um processo de reflexão e ação em defesa da água como bem comum, que se dará através da participação da família em jornadas, fóruns e nas iniciativas de fortalecimento dos trabalhos ligados à Justiça e à Integridade da Criação” (Carta de Aparecida CFFB).

Visando concretizar estes compromissos e transformá-los em um plano de trabalho para integrar nossos esforços com a construção da justiça, da paz e da integridade da criação, em diálogo com a coordenação da CFFB, o Sinfrajupe propõe realizar em 2019, um Fórum Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia. Para isso propomos um caminho em 3 etapas. Confira, a seguir, a primeira etapa que vai até o mês de março de 2018, na realização do Fórum Alternativo Mundial da Água - FAMA, em Brasília:

- Consolidar e articular a participação franciscana no processo de mobilização para o FAMA. O Sinfrajupe, participa da coordenação nacional do FAMA. A proposta é que em nossos estados e cidades, as fraternidades, os irmãos e as irmãs participem também ativamente dos Comitês Locais. A partir deste processo, definiremos atividades a serem desenvolvidas no evento de março;

- Participar do Curso online de animadores de Laudato Si’, com o tema Água e Laudato Si’. Serão realizadas 3 conferências online nos dias 25 de outubro, 01 e 08 de novembro com os temas “Águas Vivas, Rios Voadores”, “Laudato Si’: Água, Bem Comum” e “Água Não é Mercadoria”. Para mais informações e para se inscrever, acesse: http://catholicclimatemovement.global/animadores-2017/

- Participar como família da 8a Jornada Franciscana de Direitos Humanos, organizada pela JUFRA, em torno da defesa da água como bem comum. A Jornada acontecerá de 01 à 10 de dezembro de 2017, (material disponível na segunda quinzena de novembro);

- Participar do evento do FAMA, em março de 2018, em Brasília e nas regiões.

- Comunicar através das redes sociais, visando garantir uma comunicação mais sistemática entre nós, com um espaço de compartilhamento de informação, onde possamos conhecer as diversas iniciativas em curso em cada cidade, fraternidade e região. Para se integrar e participar, curta a página do Sinfrajupe no Facebook: https://www.facebook.com/Sinfrajupe/

Participe dessa construção! Que São Francisco e Santa Clara nos abençoem, nos deem força, fé e coragem para nos empenharmos cada vez mais em viver e trabalhar pela justiça, pela paz e pela integridade da criação, caminhando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Frei Ederson Queiroz, Presidente da Conferência da Família Franciscana do Brasil-CFFB


Frei José Francisco, Presidente do Sinfrajupe

Tempo da Criação

Vigília pela Amazônia: 1 de Setembro a 4 de Outubro de 2017

Em defesa da Amazônia: dos povos, dos territórios e da casa comum!

Neste abençoado Tempo da Criação, em que o Papa Francisco nos convida a ser uma só voz em defesa da casa comum,  em meio aos ataques do governo brasileiro e das companhias minerárias aos povos da Amazônia e seus territórios, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) juntamente com a Conferência da Família Franciscana do Brasil, Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe), Juventude Franciscana do Brasil, Ordem Franciscana Secular e Movimento Católico Global pelo Clima, convida a todas/os irmãs e irmãos a participar da Vigília pela Amazônia. Somos chamados nos unir em defesa da Amazônia, dos povos e seus territórios, neste momento, especialmente contra a extinção da Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (RENCA).

Acompanhamos com grande indignação as manobras antidemocráticas promovidas pelo atual governo, gerando retrocessos nos direitos dos povos e dos territórios brasileiros. Mais recentemente testemunhamos o anúncio do Decreto Presidencial  que extingue a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (RENCA). Segundo Dom Cláudio Hummes e Dom Erwin Kräutler, "a extinção da Renca representa uma ameaça política para o Brasil inteiro, impondo mais pressão sobre as terras indígenas e Unidades de Conservação, e abrindo espaço para que outras pautas sejam flexibilizadas, como a autorização para exploração mineral em terras indígenas, proibida pelo atual Código Mineral”.

Não podemos nos calar diante essa realidade de degradação humana e ambiental. Animem suas fraternidades e comunidades locais a organizarem vigílias pela Amazônia durante o Tempo da Criação, que se inicia no dia 1 de Setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, e vai até o dia 4 de Outubro, celebração de São Francisco de Assis.
Registrem os eventos que realizarem no mapa global do Tempo da Criação. Para registrar a sua vigília e/ou para saber se será organizado algum evento perto de você, acesse o site: http://pt.seasonofcreation.org/

A Vigília é de todos e todas nós! A Amazônia nutre e alimenta o equilíbrio ambiental de todo Brasil e do Planeta Terra. Por isto, juntos e juntas,  amazônidas e não amazônidas, oremos em vigília! Que, inspirados pela Encíclica Laudato Si' e pela Campanha da Fraternidade "Biomas Brasileiros e Defesa da Vida", possamos nos engajar na defesa da nossa Casa Comum, em especial na defesa dos povos e territórios, atentos e solícitos ao "grito da terra e ao grito dos pobres".




Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM)
Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB)
Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe)
Juventude Franciscana do Brasil (Jufra)
Ordem Franciscana Secular do Brasil (OFS)

Movimento Católico Global pelo Clima (MCGC)



“Repitamos a nós mesmos do fundo do coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma veneranda velhice. Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra”.
Papa Francisco - II Encontro Mundial com os Movimentos Populares
Queridas/os irmãs e irmãos,
A Juventude Franciscana do Brasil e a Ordem Franciscana Secular convidam a todas/os irmãs/os a participarem da 23ª edição do Grito dos/as Excluídos/as, uma articulação nacional que nasceu da necessidade de dar voz ao povo, às minorias e às populações historicamente excluídas pelo sistema e pelo Estado. Com o lema Por direitos e Democracia, a luta é todo dia e tema Vida em primeiro lugar, as ações que acontecem em todo o país querem chamar a atenção da sociedade para a urgência da organização e luta popular frente à conjuntura em que o país vive hoje.
Impulsionados pela Carta final do Capítulo Nacional das Esteiras ocorrido em Aparecida/SP, aprovada por franciscanas e franciscanos de todo o Brasil, que diz: “A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio.  Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta “por nenhum direito a menos”, contra golpes, reformas retrógradas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade “que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”.
Diante deste contexto, setores ligados às Pastorais Sociais da Igreja optaram por estabelecer canais de diálogo e lutas permanentes com a sociedade. Assim, a JUFRA do Brasil e a Ordem Franciscana Secular também se juntam aos movimentos sociais, instituições, organizações da sociedade civil e pastorais para a construção do 23º Grito dos/as Excluídos/as. Animem suas fraternidades, paróquias e comunidades para se juntarem nesta luta por direitos, justiça e paz. Como sinal concreto de nosso comprometimento, divulguem e estudem a “Carta de Aparecida” do Capítulo Nacional das Esteiras. Utilizem os materiais de formação. Juntem-se às manifestações espalhadas por todo o Brasil. Para baixar os materiais, clique aqui.
Que unidos como uma fraternidade universal e fortalecidos pelo nosso grande encontro do Capítulo Nacional das Esteiras, possamos viver nossa missão profética como franciscanas e franciscanos presentes na sociedade, buscando sempre a vida em primeiro lugar.
Fraternalmente,


Washington Lima dos Santos, JUFRA/OFS
Secretário Fraterno (Presidente) Nacional da JUFRA do Brasil


Igor Guilherme Bastos, JUFRA
Secretário Nacional de DHJUPIC
Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação.


Vanderlei Suélio Gomes, OFS
Ministro Nacional da OFS


Hélio da Costa Gouvêa, OFS e Moema Miranda, OFS

Coordenadores Nacionais de Presença do Mundo


Dom José Maria Pires, 98 anos de Vida, fez sua Páscoa! Com o Povo, fez-se Povo. Sendo mineiro, fez-se nordestino. Sendo arcebispo, fez-se companheiro. Obrigado, Dom José, por mostrar à Igreja o caminho que, como Jesus de Nazaré, devemos trilhar: "Do Centro para a Margem!"


Hoje, último dia do mês de junho, encerramos as publicações de aniversário da Laudato Si' e do dia da Terra. Durante este mês tivemos a oportunidade de acompanhar diferentes histórias e ações de nossos irmãos e irmãs, da Jufra e da OFS, que se comprometem na defesa da nossa casa comum. Hoje vamos acompanhar a experiência da Ana Flavia Quintão, da OFS de Belo Horizonte, que se dedica na defesa dos territórios e dos povos impactados pela mineração. Que essas partilhas nos inspirem ainda mais a defender toda a criação, sempre “globalizando a esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres.”


Meu nome é Ana Flávia, pertenço à OFS da Fraternidade Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, em Belo Horizonte.

Venho atuando no enfrentamento à mineração, no estado de Minas, desde 2011. Essa luta foi eleita como prioritária para os franciscanos do mundo todo, durante a Cúpula dos Povos, em 2012. O seu poder de destruição de recursos naturais e a violenta degradação de modos de vida das comunidades atingidas são os motivos para a essa resistência

O nome do nosso estado diz da nossa sina minerária, entretanto, chegamos em uma situação onde a crise hídrica se agrava, e uma das atividades que mais impacta o abastecimento hídrico das cidades onde ocorre é a própria mineração. Em Minas Gerais, onde estão os aquíferos, está o minério, e chegamos no momento de questionar sobre o que é mais importante, água ou minério.

Essa atividade mantém os mesmos padrões coloniais de violação de direitos humanos, pois se apropria de territórios tradicionais, com a benesse dos governos, expulsam comunidades inteiras e afetam milhares de outras, secando suas nascentes, pelo rebaixamento dos lençóis freáticos, e envenenamento das águas. Além disso, ameaçam e matam pessoas que resistem aos seus projetos de destruição, pela contratação de capangas. Poluem o ar com suas monumentais explosões, lotam estradas inseguras com seus caminhões, ceifam vidas nos trilhos de seus trens. Quando se estabelece em uma comunidade, a mineração trás centenas de trabalhadores, sobrecarrega serviços de saúde e aumenta casos de violência, estupro, prostituição e gravidez na adolescência. Esses, são pontos comuns em projetos extrativistas predatórios, quase sempre empreendidos por grandes e milionárias corporações internacionais. A lógica colonialista segue, mais moderna e infinitamente mais destrutiva.

Entretanto, nossos sistemas naturais dão sinais de exaustão. Nosso ritmo de “desenvolvimento” não considera os ritmos da natureza, que agoniza na destruição. Nossas relações e modos de vida se tornam cada vez mais artificiais e distantes de nossa essência. Um cenário sombrio é diariamente desenhado pelas mãos humanas.


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Em um contexto de mudanças climáticas, a salvaguarda de nossos aquíferos e regiões de recarga hídrica (justamente as destruídas pela mineração) se torna mais que urgente. Entretanto, a ganância das empresas e a subserviência dos governos coloca a segurança hídrica, e com ela também a segurança alimentar, sob extremo risco. Não existe economia, empregos, educação, nada, sem água. Portanto, a luta contra a mineração é uma luta pela vida.