sexta-feira, 9 de outubro de 2009

REFLEXÃO FRANCISCANA PELA PAZ

Considerando que o mês de outubro representa na vida franciscana algo muito relevante para sua essência na caminhada, sendo nele comemorada vida e morte do seráfico inspirador São Francisco de Assis, aproveita-se o oportuno momento para o exercício da ativa reflexão sobre um dos aspectos mais fascinantes dos princípios que animam o carisma franciscano: a PAZ.

Os caminhos tomados pela humanidade estão cada vez mais distantes dessa doce e tão sonhada palavra; os seres humanos, profundamente imersos em seu individualismo exacerbado contribuem para o surgimento de sentimentos propícios e a situações extremamente conflituosas.

Nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, um dos elementos-chave para a compreensão da quase inexistência de pacifismo é a extrema desigualdade social, atrelada aos altos índices de pobreza e miséria, o que contribui para a disseminação de problemas como a violência. Lugares em que as políticas públicas de assistência básica ao ser humano são estruturadas e aplicadas de forma precária constituem-se ótimos espaços para reprodução em larga escala de cenários de guerra, em que homens são brutalmente reduzidos a verdadeiras máquinas de destruição, atentando, inclusive, contra a vida de seu semelhante.

Um aspecto igualmente relevante à busca pela PAZ diz respeito às questões socioambientais, que podem gerar perfeitos cenários de guerra e desamor. O planeta tem sido tratado de forma cruel, soma de altas doses do “racionalismo” empresarial e da politicagem ou politicalha praticada por seres desprovidos da compaixão pelo próximo e pela casa que lhe sustenta e abriga, a Terra. Degradação ambiental também é sinônimo de guerra, logo, a preocupação com o equilíbrio planetário e local deve ser intimamente associada ao interesse pela PAZ e pelo BEM da humanidade.

Diante do exposto sugere-se que mais reflexões dessa natureza sejam feitas, resultando em críticas coletivas e construtivas, capazes de mobilizar parcelas da sociedade em prol do objetivo comum, intensamente almejado: a PAZ verdadeira. Pequenos atos, quando multiplicados, possuem o poder de transformar realidades. Independente de credo, etnia, orientação sexual, idade, todos os homens tem direito ao respeito, além disso, todos tem o dever de zelar pela harmonia, pelo espírito de companheirismo, da ajuda mútua, do respeito para com todas as formas de vida, por menor e desprezível que esta aparente ser.

Uma questão jamais deve ser esquecida na luta pela PAZ: tudo no mundo está interligado, integrando a dinâmica indispensável à manutenção da vida, portanto, destruir é sinônimo de desequilibrar, o que afeta a vida do próprio homem, que de forma equivocada, considera-se superior às outras espécies.

Fabiana Pereira Correia

Subsecretária Regional de Direitos Humanos,

Justiça, Paz e Integridade da Criação

Regional Maranhão (NEA1)

São Luís, 09.10.2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Dia dos Animais

4 de Outubro

São Francisco de Assis

Em 4 de outubro comemora-se o Dia de São Francisco de Assis, considerado o padroeiro dos animais. De fato, é comum encontrar nas sedes das entidades de proteção animal imagens do santo italiano. Por sua relação de amor e respeito aos animais, a data serve também para comemorar o Dia Mundial dos Animais.

Francisco de Assis viveu na Itália entre os séculos XII e XIII. Durante a juventude levava a vida como um rico filho de comerciante. Então, converteu-se e passou a trabalhar com um grupo de discípulos (que ficaram conhecidos como franciscanos), todos devotos da pobreza evangélica.

Ele tinha uma relação muito especial, de muito respeito com os animais. No Cântico das criaturas, São Francisco de Assis louva a Deus por todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas... Há alguns anos o Papa João Paulo II decretou São Francisco de Assis como o padroeiro da ecologia, pelo reconhecido amor a todas as criaturas. Francisco de Assis foi sepultado em 4 de outubro de 1226 e canonizado em 1228. Em comemoração à data, durante este mês várias entidades de proteção animal organizam eventos sobre bem-estar animal e cerimônia de bênção aos animais.

Ao analisar a relação homem-animal ao longo da história da humanidade, percebemos que muitos erros e atrocidades foram cometidos contra os animais, por falta de conhecimento, pela ganância ou em nome de tradições culturais. Com o desenvolvimento de estudos, análises e teorias sobre comportamento animal, o homem passou a modificar sua postura, pois percebeu que os animais também sofriam e sentiam medo, dor e angústia. Isso aconteceu graças ao trabalho dos cientistas e estudiosos do comportamento animal e dos defensores de animais - pessoas que, mesmo sem nenhuma formação acadêmica, lutam pelos direitos dos animais, tirando-os das ruas, protegendo-os, criando e cuidando de abrigos.Ainda hoje vemos situações que não podem ser aceitas sem pelo menos o sentimento de forte indignação, abrigos superlotados com animais abandonados à própria sorte por seus donos, maus-tratos, envenenamentos, venda ilegal de animais silvestres, rodeios, touradas, farra do boi, ursos torturados na China, circos, feiras de animais sem controle sanitário, uso de animais em testes para cosméticos, projetos de lei que perpetuam os maus-tratos e uso em experiências científicas.

Por isso, vamos aproveitar a data para refletir por alguns instantes sobre tudo aquilo que devemos aos animais, sobre todos os erros cometidos até agora. Existe um caminho a ser seguido, que é o respeito a todas as formas de vida, tanto aos aspectos mais básicos, como abrigo e alimentação, quanto ao direito a afeto, liberdade e à vida.

Fonte: www.jornalpontofinal.com.br

Vídeo Bençao dos Animais

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cântico das Criaturas


Quase moribundo, compôs São Francisco o Cântico das criaturas. Até ao fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus. No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.

A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em julho de 1226, no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de outubro de 1226.

A oração do santo diante do crucifixo de São Damião e o Cântico do Sol são as únicas obras de São Francisco escritas em italiano antigo e, por isso, são dos mais importantes documentos literários da linguagem popular. Foi nesta língua que ele certamente ditou a maioria de seus escritos, antes que os irmãos versados em letras os traduzissem para a língua comum da época, o latim.

"Na tradição ocidental Francisco de Assis é visto como uma figura exemplar de grande irradiação. Com fina percepção sentia o laço de fraternidade e de sororidade que nos une a todos os seres. Ternamente chama a todos de irmãos e irmãs: o sol, a lua, as formigas e o lobo de Gubbio. As coisas tem coração. Ele sentia seu pulsar e nutria veneração e respeito por todo ser, por menor que fosse. Nas hortas, também as ervas daninhas tinham o seu lugar, pois do seu jeito elas louvam o Criador.

O coração de Francisco significa um estilo de vida, a expressão genial do cuidado, uma prática de confraternização e um renovado encantamento pelo mundo. Recriar esse coração nas pessoas e resgatar a cordialidade nas relações poderá suscitar no mundo atual o mesmo fascínio pela sinfonia do universo e o mesmo cuidado com irmã e mãe Terra como foi paradigamaticamente vivido por São Francisco."(Leonardo Boff)

http://www.youtube.com/watch?v=6cv3zLP3wEI

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dia Mundial do Meio Ambiente


Caríssimos (as) irmãos (ãs) da Juventude Franciscana do Brasil,
Paz e Bem!

Comunico-me com vocês para lembrar-lhes a respeito do Dia Mundial do Meio Ambiente e Dia da Ecologia (5 de junho) . Mais uma vez estamos diante de um caos mundial. Tempestades e furacões manifestam o poder da natureza e a revolta da mesma pelos descuidos gerados por nós seres humanos. Somos seres que nos dizemos racionais, mas jogamos nosso lixo na água que bebemos, poluímos o ar que respiramos e não usamos conscientemente o que nos foi dado por Deus. Será que isso é racionalidade?

Essas nossas ações negativas junto à natureza fazem com que mesma reaja contra os descuidos que sofre. Nossos irmãos sofrem com as tempestades nos locais que não costuma chover muito. Alguns sofrem também com a seca, nos locais onde se costuma chover muito.

Devemos também lembrar que mesmo que façamos a nossa parte, esta que é importantíssima para àqueles que não fazem a sua, nossas autoridades precisam também atuar nesses moldes, da preservação de nossa fauna e flora, bem como no desenvolvimento sustentável de nossas cidades.

Nós, franciscanos seculares, podemos fazer nossa parte de diversas formas. Podemos conscientizar através do exemplo, reciclando o lixo de nossas casas, economizando o consumo de água em banhos, lavagem de louças, roupas, economizando no consumo de energia elétrica, utilizando sacolas ecológicas para fazermos compras. Outra forma de mostrar como agir é montar em nossas comunidades visitas, em forma de conversa, para que através dessas, possamos ajudar a mãe natureza a sobreviver. Faça a sua parte irmão. Peça a Deus que este desinteresse pelos nossos seres humanos, animais, árvores, não lhe seja indiferente. No mais, meus contatos vão na carta e qualquer ajuda que possa dar é só passar uma mensagem que responderei prontamente suas solicitações.

Irmãos e irmãs, espero que todos façam uma maravilhosa reflexão sobre este assunto. Façam a mesma em fraternidade, em comunidade, em família, entre irmãos. E que possamos, como disse nosso Papa João Paulo II, ser esse luminoso ideal de vida para o mundo.

Paz e Bem!

Marcus Vinícius Pinheiro Lopes
Subsecretário Nacional de Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação
E-mail: marvinplopes@yahoo.com.br MSN: marvinplopes@hotmail.com

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Eu só peço a Deus

Para refletir!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Campanha da Fraternidade 2009


Caríssimos (as) irmãos (as) da Juventude Franciscana do Brasil,

Paz e Bem!

Venho através desta carta dar-lhes um parecer a respeito da Campanha da Fraternidade 2009 e a importância da participação de nossa juventude na mesma. Este ano a campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e Segurança Pública” e como lema “A paz é o fruto da justiça (Is 32,17)”. O tema é trazido a tona num momento em que a humanidade se encontra perdida no que diz respeito à vida em sociedade. O mundo vive cheio de guerras e o desrespeito a vida humana é grande.

Pelo lema desta Campanha temos que a saída para termos a segurança em nossa sociedade é cultuar a paz em qualquer setor de vivência nosso. Desta forma, a meu ver, não devemos discutir as formas de violência existentes em nossa sociedade e sim as formas de educar nossa sociedade para uma cultura de paz. A juventude franciscana dá uma lição para a sociedade no que diz respeito à cultura de Paz, pois nossas fraternidades vivem baseadas no conceito do cristianismo, na generosidade e solidariedade com os irmãos mais necessitados. Ser fraterno é cultuar a Paz. Desejar Paz e Bem a um irmão é um pedido que se faz para que o mesmo continue no caminho cristão franciscano, sempre iluminado pelo Espírito Santo, em busca da felicidade eterna.

Outro fator importante para se cultivar a paz é o respeito às pessoas. Falo do respeito às suas opções sexuais, à sua classe social, à sua raça. Para podermos discutir sobre segurança pública devemos nos colocar diante de todas as desigualdades existentes em nossa sociedade. Devemos nos colocar no lugar do leproso que sofre preconceito pela doença que tem que por sua vez não consegue um emprego por causa da sua doença e que tem que encontrar outro meio de sobreviver. Lembremos também dos jovens que em sua infância trocam seus estudos por um trabalho para ajudar na renda familiar. No futuro este jovem, por não ter um estudo, terá de encontrar uma maneira de sobreviver.

Nós, jovens franciscanos, devemos levar nosso carisma aos diversos locais em que participamos da vida cristã. As escolas têm um papel fundamental na criação de uma cultura voltada para a partilha e vivência em fraternidade. Nossas famílias devem também estar engajadas nesta luta contra as formas de violência existentes. A paz que todos nós desejamos só será possível quando as dificuldades causadas pelo sistema vigente forem diminuídas pela criação dessa vida de fraternidade e igualdade existente em cada um de nós, que participamos de uma vida fraterna.

Para a formação da fraternidade sugiro a visita do site da CNBB (http://www.cnbb.org.br/) e também do site das edições da CNBB (http://www.edicoescnbb.com.br/) que este ano publicou diversas cartilhas voltadas para o estudo da campanha. Não esqueçam que a Formação é feita no nosso tempo da Quaresma, época de reflexão sobre o Cristo vivo em nossa sociedade, mas que a campanha da fraternidade acontece durante o ano todo. Não esqueçam também irmãos da ação perante a Campanha. Sugiro estudo em comunidades carentes acompanhadas de visitas. No mês de Outubro teremos a Semana Franciscana pela Paz, promovida pela Família Franciscana do Brasil (FFB) e este ano podemos trabalhar ainda mais o tema, voltando nossa semana para a campanha da fraternidade deste ano.

A juventude é a época onde fazemos escolhas. Escolhemos viver a Paz, semelhante ao nosso Pai Seráfico Francisco, respeitando é claro nossa secularidade. Lembro irmãos que tudo que foi feito errado, pode ser consertado, basta querermos consertar. Não devemos ter um pensamento pessimista. A vida nos pede coragem.

Que possamos crescer em mentalidade sempre guiados pela Paz do Espírito Santo, Amém.

Marcus Vinícius Pinheiro Lopes

Subsecretário Nacional de Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

NOTA DA CNBB EM DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS BÁSICOS

“O que os apóstolos nos recomendaram foi somente que nos lembrássemos dos pobres”
(Cf. Carta de São Paulo aos Gálatas 2,10).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, em defesa da Seguridade Social e em atenção à articulação de várias entidades nacionais, reunidas em Brasília, no dia 05 de fevereiro de 2009, para discutir este assunto, volta a se pronunciar sobre a Proposta de Reforma Tributária nos termos seguintes.
Face às iminentes mudanças inseridas na Proposta de Emenda Constitucional - PEC nº 233/08, relativa à Reforma Tributária, que inviabilizam o atual ordenamento dos direitos sociais da Constituição Federal de 1988, particularmente do seu sistema de Seguridade Social, fica patente a necessidade de esclarecer e difundir as implicações sociais e políticas da reforma em discussão.
No que se refere à Seguridade Social, a proposta oriunda do Executivo e já aprovada na Comissão Especial da Câmara Federal, afetará diretamente os usuários do Sistema Único de Saúde, bem como a vida de 32 milhões de titulares de benefícios da Previdência Social, Assistência Social e Seguro Desemprego cujo valor, para os 2/3 desses beneficiários, é um salário mínimo.
O cerne da preocupação da CNBB em relação à proposta de reforma, ora em tramitação na Câmara, é a perda de garantia de recursos necessários ao atendimento dos direitos sociais básicos. Se aprovada na forma atual, a PEC 233/08 quebrará salvaguardas constitucionais, acabando com a garantia de destinação exclusiva de recursos para a Seguridade. Na medida em que transforma contribuições sociais em impostos, modifica a natureza das fontes de recursos atualmente assegurados pelo art. 195 da Constituição para o financiamento da Seguridade Social.
Essa nova versão do art. 195 desmorona a construção constitucional que assegura direitos sociais, com prioridade de recursos para o atendimento das legítimas demandas atuais e futuras. Na proposta de emenda desaparece a garantia de proteção aos pobres e de busca da igualdade. Os recursos das contribuições anteriormente destinadas à Seguridade Social são remetidos à competição entre setores financeiros, empresariais e políticos com peso e poder econômicos bem maiores que os dos credores preferenciais de todo sistema de proteção social no mundo moderno - órfãos, viúvas, desempregados, idosos e incapacitados para o trabalho.
Almejamos que a Reforma Tributária tenha o sentido de justa distribuição da renda, minorando as desigualdades e venha resgatar os valores da solidariedade e os princípios de equidade social. A PEC 233/08 caminha no sentido oposto, inviabilizando o financiamento de direitos sociais. Por esta razão é inaceitável.
Entendemos que a PEC 233/08 não pode seguir sua tramitação no Parlamento e não deveria ser submetida a voto. É imprescindível que haja esclarecimentos e correções sobre suas conseqüências e efeitos para os direitos sociais básicos.
Brasília-DF, 13 de fevereiro de 2009
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo de Montes Claros
Vice-Presidente da CNBB em exercício

São Francisco

São Francisco
Nosso Pai Seráfico