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Ecoquaresma: Ecologia Quaresmal do Coração



By  Subsecretaria Nacional de DHJUPIC da JUFRA do Brasil     14:05     
O Espírito levou Jesus para o deserto.
Ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás.
E vivia com os animais selvagens
(Marcos 1,12).

Ecologia quaresmal é uma meditação reflexiva sobre nosso relacionamento com Deus, com o meio ambiente natural e social. No meio ambiente natural, Jesus se relacionou com a vida para ver e ampliar sua visão holística do novo reino de Deus, na história dos seres humanos. Este reino tem como base o relacionamento humano e espiritual, através do amor fraternal, do senso de partilha e fraternidade. No ambiente social dos pobres e empobrecidos, Jesus começou seu trabalho de evangelização, porque os encontrou como “ovelhas sem pastor”, marginalizados, oprimidos, cegos e presos na estrutura social e cultural de desumanização.

Excluídos por forças sociais, políticas e religiosas, Jesus se aproxima dos pobres para fazer deles evangelizadores do reino de Deus. Entre eles estavam incluídos seus primeiros discípulos e discípulas, que serão seus futuros evangelizadores no novo reino de irmandade, onde será inaugurada uma nova economia de partilha, de comunhão e solidariedade. Neste sentido, os próprios evangelistas nos falam das várias ocasiões, em que o mestre Jesus ensinou como todos podiam ter “Economia e Vida” na comunidade-fraternidade local, regional, nacional e universal.

Na perspectiva de uma ecologia humana, a força produtiva da economia cristã está na capacidade de sabermos usar os bens da Criação, com senso de respeito para com o meio ambiente natural e senso de distribuição dos bens produzidos, no meio ambiente social das comunidades de fé. Hoje esses dois meios: o natural e o social estão inter-relacionados. Não podem jamais ser separados. Hoje como nunca, sabemos que “a Terra não mais agüenta as agressões geradas pelo progresso industrial capitalista. O planeta está se aquecendo, o que provoca mudanças climáticas que colocam em perigo a vida humana e todas as demais formas de vida” (Texto, CFE 2010).

Diante dessa realidade, nós cristãos, cristãs temos que aprender a fazer penitência de verdade. Quaresma é tempo de penitência sobre nossas transgressões contra Deus, quando maltratamos o Próximo e a Natureza. Uma ecologia quaresmal é aquela visão humana e espiritual que nos faz ver nossos erros e endireitá-los pelo caminho de “um coração contrito e humilhado”, o qual Deus nunca despreza (Salmo 51,19). Ecologia quaresmal é ter cuidado para que o coração da gente não fique endurecido contra ninguém; é respeito uns pelos outros na circularidade da comunidade da Criação.

Nesta comunidade, Deus nos deu tudo de graça para o bem-estar de todos. Se realmente abraçarmos o espírito quaresmal da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, então estaremos cooperando com o bem-estar da mãe Terra e com o bem-estar da humanidade. Lembremo-nos que o bem da nossa mãe Terra é o nosso próprio bem. A saúde dela é também a nossa. Se ela hoje se encontra ecologicamente doente, é por causa de nossas agressões e transgressões às leis de Deus. Quando isso acontece no nível da ecologia humana e ambiental-natural, consequentemente nós ficaremos enfermos no corpo, na alma e espírito. Esta doença é grave! E aqui, em nossa reflexão, a ecologia quaresmal é uma tomada de consciência sobre tal doença que estraga nosso senso de amor e de cuidado à vida de tudo e de todos.

Essa realidade, porém, pode ser mudada se houver uma profunda conversão do coração humano para Deus, o qual vive eternamente presente na Natureza, nos Pobres e Excluídos no mundo da vida. Sem uma verdadeira conversão da mente e do coração, não há transformação pessoal, comunitária e social, e muito menos salvação. Assim, ecologia quaresmal é uma compreensão vital de nossa relação com Deus, com a Natureza e nossos Semelhantes. Essa nova compreensão faz a gente “redescobrir o prazer de viver com simplicidade e de cuidar com carinho a Terra” (Texto, CFE 2010).

Assim, na perspectiva da CFE, é preciso mudar de uma economia de morte, para uma economia de vida para todos. Uma economia de morte é aquela mentalidade humana que desvia o Bem Comum, para o bem particular. Esta é uma prática escandalosa do comportamento de muita gente cristã que, mesmo sendo cristã, pode estar afastada de Deus por uma conduta de acumulação sem partilha e sem comunhão.

No entanto, quem procura a vida eterna e se une ao seu Criador, busca em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça (Mateus, 6,33). Este princípio humano e espiritual se fortalece no espírito de partilha e solidariedade, que começa na família e se estande na comunidade. O reino de Deus é uma experiência relacional que pode ser vivida em três dimensões: pessoal, social e espiritual.

A dimensão pessoal é vivenciada pela oração, partilha e jejum; a dimensão social é vivida no respeito uns pelos outros, e com senso de justiça; e a espiritual pela meditação, adoração e contemplação das obras de Deus no santuário da Criação. Portanto, neste santuário, tudo e todos somos uma corporeidade orante, porque holística e ecologicamente estamos inter-relacionados por uma força vital, que é o Sopro divinal eternamente presente no Universo.

Numa economia de vida, de amor e fé, a vida da mãe Terra pode estar fora de perigo. Mas para isso é necessária uma conversão radical do modelo perverso de economia atual que visa o lucro pelo lucro, sem espírito social-coletivo de distribuição dos bens produzidos. Hoje, há vozes gritando em favor da mãe Terra. E, pela vida dos pobres e pela vida toda humanidade, o “Projeto Copenhague” não deveria ser um fracasso, como realmente aconteceu. Mesmo assim, é fundamental que uma nova consciência mundial veja os bens da Natureza como terras, recursos, tesouros, dinheiro e poder como bens de comunhão, e não de acumulação egoística. A finalidade das riquezas divinas é o bem-estar humano e espiritual da humanidade. Aqui e no mundo inteiro somos essa humanidade em marcha para Deus.

Portanto, numa perspectiva de confraternidade local, regional, nacional e mundial, eis que o que significa ecologia quaresmal: cuidado, ética e preservação dos bens da Criação, para uma próspera justiça, partilha, comunhão e participação no mundo da vida. Que o espírito de Jesus de Nazaré revolucione nossa mentalidade egocentrada, para a uma nova mentalidade de economia compartilhada. Esta foi a mística da alma de São Francisco, o profeta de Assis. Com ele, caminhamos sempre juntos na estrada de Jesus. Coragem e fé, no vale profundo da quaresma de Jesus, o qual fez sua experiência ecológica, humana e espiritual, entre os animais da Criação.

Frei Anízio,OFM


Fonte: www.paraibaonline.com.br

Sobre Subsecretaria Nacional de DHJUPIC da JUFRA do Brasil

A Juventude Franciscana (JUFRA) é uma proposta de vivência cristã destinada a jovens que, por vocação, carisma ou índole, se comprometem com o ideal de vida inspirado na espiritualidade franciscana A JUFRA é, ou deve ser, um monte de gente nesse mundão a fora, que tomou consciência de que: primeiro, deve esforçar-se para melhorar o mundo; segundo, que a melhora do mundo começa a partir de si mesmo; e que é preciso no mundo uma escola que ajude as pessoas a tomarem consciência disso. (Essa escola é a própria JUFRA) A JUFRA tem estilo e características próprias. Por isso nessa fraternidade de jovens, os jufristas assumem todos os deveres e, por conseguinte, gozam de todos os direitos inerentes ao compromisso franciscano de vida secular Segundo o Estatuto da JUFRA do Brasil, ela é uma associação civil com caráter e objetivos dentro exclusivamente dos campos Religioso, Educacional e Social.

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